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Pequenas propriedades que antes não produziam hoje viram casos de sucesso

 

O cenário da agricultura familiar em Várzea Grande mudou de forma concreta. Pequenas propriedades que durante anos produziram pouco ou praticamente nada agora começam a mostrar resultados e se transformar em exemplos de produção e renda no campo. A mudança é resultado de um conjunto de ações que envolve assistência técnica, apoio da prefeitura, parcerias institucionais e a disposição dos produtores em apostar em novas culturas.

Esse novo momento chamou à atenção de pesquisadores da Embrapa, que iniciaram uma expedição pela Baixada Cuiabana para identificar experiências bem-sucedidas na produção da agricultura familiar.

O zootecnista Miqueias Michetti, contratado pela Embrapa para realizar o diagnóstico regional, explica que o objetivo é entender como está a produção nas pequenas propriedades e identificar exemplos que possam servir de modelo para outros produtores.

“Estamos fazendo uma expedição por vários municípios da Baixada Cuiabana, no entorno do Rio Cuiabá, em busca de casos exitosos de produção de frutas, hortaliças, legumes e piscicultura vindos da agricultura familiar. Esses casos vão dar subsídio para os pesquisadores da Embrapa trazerem transferência de tecnologia por meio da Unidade Mista de Tecnologia e Inovação, que está sendo implantada aqui na região”, explica.

Segundo ele, a proposta é simples: ir direto na fonte, ouvir os produtores e entender a realidade no campo. “A gente quer saber quais são as principais dificuldades, quais são os entraves para crescer e também quais são as oportunidades que esses produtores enxergam. Estamos ouvindo as dores e tentando identificar caminhos para fortalecer essa produção”, afirma.

Com as informações coletadas, a Embrapa pretende adaptar tecnologias já utilizadas em outras regiões do país para a realidade da Baixada Cuiabana, aumentando a produção e garantindo mais segurança alimentar. “A ideia é ampliar a produção e melhorar o abastecimento de produtos frescos tanto nos municípios quanto na capital”, reforça Michetti.

A virada nas pequenas propriedades – Um dos exemplos que chamou a atenção dos pesquisadores está no sítio Nossa Senhora das Graças, em Várzea Grande, onde a produção de maracujá começa a despontar como nova alternativa de renda.

O secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável, Ricardo Amorim, acompanhou a visita técnica e destaca que os resultados são fruto de uma estratégia construída pela atual gestão municipal em parceria com a Empaer. “O trabalho da prefeitura, junto com a Empaer, é buscar novas culturas e ações para que essas propriedades possam decolar. Uma delas foi o maracujá”, explica.

A variedade escolhida foi a FB200, selecionada após estudos técnicos. “Esse maracujá foi escolhido pelo tamanho do fruto, pela qualidade da polpa, pelo tempo de maturação e pelo alto valor de venda. Aqui na propriedade da dona Lúcia já vemos frutos grandes com apenas três meses de plantio”, afirma o secretário.

Mas o apoio ao produtor vai muito além da escolha da cultura. Segundo Amorim, a prefeitura atua em toda a cadeia produtiva. “Existe todo um estudo do solo, da área plantada, do tipo de fruta, do clima e da chuva. A partir disso, levamos maquinário para preparar a terra, fazemos o gradeamento, fornecemos insumos como calcário e terra preta, além de capacitação para o produtor”, explica.

E o suporte não termina na produção. A prefeitura também ajuda na logística e na comercialização, garantindo mercado para o pequeno produtor. “Trabalhamos com recolhimento da produção e ajudamos na venda, seja em feiras, programas sociais ou no fornecimento para a merenda escolar através do PNAE. O produtor já tem mercado garantido. Assim a cadeia produtiva tem começo, meio e fim”, destaca.

Da construção civil para o campo – No sítio Nossa Senhora das Graças, o produtor José Imbraim Marcos da Souza, de 61 anos, é um exemplo dessa mudança de vida.

Depois de décadas trabalhando na construção civil como mestre de obras, ele decidiu trocar o estresse da cidade pela tranquilidade da zona rural. No início, começou trabalhando com produção de leite e derivados. Aos poucos, novas oportunidades surgiram. “Depois apareceu o pessoal da secretaria incentivando a plantar maracujá. Resolvi tentar e gostei muito”, diz.

A produção já começa a mostrar resultados. “A expectativa é grande. Já plantamos o primeiro e o segundo parreiral. A gente confia que a produção vai ser boa”, afirma.

Segundo ele, o apoio da prefeitura e da assistência técnica foi decisivo para apostar na nova cultura. “Se fosse para plantar e depois sair correndo atrás de comprador, eu não plantava. O que fez a gente produzir foi saber que tem orientação para plantar e ajuda para vender. Isso dá segurança”, destaca.

Fonte:Notícias Verdade MT – Não é só notícia, é verdade!  Read More 

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